A conformidade com a CSRD e Scope 3 viagens deixou de ser apenas uma tendência ESG e passou a ser obrigação legal para milhares de empresas — inclusive brasileiras com subsidiárias ou receitas na União Europeia. Entender o que a Diretiva Europeia de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa exige sobre emissões de viagens aéreas e terrestres é essencial para não ser pego de surpresa na próxima temporada de relatórios.
O que é a CSRD e por que ela afeta empresas brasileiras
A Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) é a principal legislação europeia de transparência em sustentabilidade. Aprovada em 2022 e operacionalizada pelos European Sustainability Reporting Standards (ESRS), ela substitui a antiga NFRD e amplia drasticamente o universo de empresas obrigadas a divulgar informações ambientais, sociais e de governança.
Com o Pacote Omnibus publicado em fevereiro de 2026, os limiares foram ajustados: empresas com mais de 1.000 funcionários e faturamento líquido anual superior a €450 milhões passam a ser o foco prioritário. Para o grupo “Wave 1” — aquelas já sujeitas à NFRD — o primeiro relatório sobre dados de 2025 foi entregue em 2026. As demais empresas de grande porte reportam a partir de 2028, com base em dados de 2027.
Uma empresa brasileira que tenha ações na bolsa europeia, subsidiária na UE ou volume relevante de receitas de clientes europeus pode estar no escopo. A orientação de firmas como PwC Portugal e Grant Thornton Brasil é clara: mesmo que a matriz esteja fora da UE, filiais europeias precisam cumprir a diretiva — e as informações de Scope 3 são consolidadas globalmente.
ESRS E1 e a obrigatoriedade do Scope 3 nas emissões de GEE
O padrão ESRS E1 (Mudanças Climáticas) é o coração do relato ambiental na CSRD. Ele exige a divulgação das emissões de gases de efeito estufa nos três escopos do Protocolo GHG:
- Scope 1: emissões diretas (frota própria, instalações).
- Scope 2: emissões indiretas de energia elétrica consumida.
- Scope 3: todas as emissões indiretas na cadeia de valor — a mais abrangente e complexa.
O Scope 3 é dividido em 15 categorias. Para empresas de serviços como consultorias, bancos e seguradoras — e especialmente multinacionais — a Categoria 6 (Business Travel) costuma ser material na avaliação de dupla materialidade exigida pela CSRD. Isso significa que as viagens corporativas não são apenas um dado acessório: elas podem representar a maior parcela das emissões mensuráveis da empresa.
Além da Categoria 6, empresas com equipes trabalhando remotamente devem considerar a Categoria 7 (Deslocamentos de Funcionários), que cobre trajetos casa-trabalho. Juntas, essas duas categorias formam o chamado “footprint de mobilidade” da organização.
Para aprofundar a lógica dos Escopos e como eles se encadeiam, vale consultar nosso artigo sobre pegada de carbono em viagens corporativas.
Como capturar os dados de emissão via TMC e OBT
O maior desafio operacional da CSRD não é entender a regulação — é ter dados confiáveis e auditáveis. Sem um processo estruturado de coleta, as empresas dependem de estimativas grosseiras que não passam no crivo de auditoria independente exigido pela diretiva.
As duas ferramentas centrais para captura de dados de emissão em viagens corporativas são:
- TMC (Travel Management Company): a agência especializada em viagens corporativas consolida todas as transações — passagens aéreas, hotéis, locações de veículos e transfers — em um único sistema de gestão. Com acesso a dados brutos de itinerário, distância percorrida e classe de cabine, a TMC pode gerar relatórios de emissão baseados em metodologias reconhecidas como GLEC Framework e ICAO Carbon Calculator.
- OBT (Online Booking Tool): as plataformas modernas de reserva corporativa já exibem o índice de carbono de cada opção de voo ou hotel no momento da reserva, permitindo que o viajante e o gestor tomem decisões mais conscientes. Esses dados ficam registrados e exportáveis para o processo de consolidação.
A integração entre TMC, OBT e o ERP ou sistema de ESG da empresa é o que garante a rastreabilidade exigida pela CSRD. Sem essa cadeia digital, o relatório ficará cheio de gaps e estimativas não verificáveis.
Saiba mais sobre o papel estratégico de uma agência especializada em nosso post sobre o que é uma TMC e como ela diferencia a gestão de viagens de uma empresa que simplesmente usa uma plataforma genérica.
Métricas e KPIs para o relatório CSRD de viagens
Uma vez que o fluxo de dados esteja operacional, é preciso definir quais métricas serão reportadas. O ESRS E1 não especifica um modelo único, mas estabelece que as informações devem ser comparáveis, verificáveis e consistentes ao longo dos anos. As métricas mais adotadas pelas empresas de referência incluem:
- tCO₂e total de viagens aéreas por ano (Scope 3, Categoria 6).
- Emissões por viajante (tCO₂e/funcionário) e por receita (tCO₂e/R$ milhão faturado) — indicadores de intensidade que permitem benchmark setorial.
- Percentual de voos de longa distância vs. curta distância — dado relevante porque voos de curta distância têm fator de emissão por km mais alto.
- Mix de cabine: a classe executiva tem fator multiplicador de 2x a 4x em relação à econômica; empresas que têm política de cabine estruturada reduzem emissões e custos simultaneamente.
- Participação de SAF (Sustainable Aviation Fuel) na frota das companhias aéreas contratadas — métrica emergente exigida por algumas agências de rating ESG.
- Meta de redução em percentual e ano-base, alinhada com Science Based Targets (SBTi) se aplicável.
Para estruturar um painel completo de indicadores de desempenho em viagens, veja nosso guia de KPIs de viagens corporativas.
O processo de relatório: do dado bruto ao disclosure auditado
A CSRD exige assurance limitada (e futuramente razoável) por auditor independente. Isso eleva o padrão de qualidade dos dados muito além do que as empresas costumavam praticar nos relatórios voluntários de sustentabilidade. O processo típico envolve cinco etapas:
- Avaliação de dupla materialidade: identificar se as viagens corporativas são materiais tanto do ponto de vista de impacto (emissões que a empresa causa) quanto financeiro (riscos e oportunidades relacionados a clima que afetam os resultados).
- Definição de fronteira e metodologia: escolher entre abordagem baseada em gastos (spend-based), em atividade (activity-based) ou em distância — cada uma com nível diferente de precisão e esforço de coleta.
- Integração de dados: conectar TMC, cartão corporativo, sistema de despesas e ERP para garantir completude e eliminar duplicações.
- Cálculo e validação: aplicar fatores de emissão atualizados (recomenda-se DEFRA, ADEME ou base ICAO) e reconciliar com dados financeiros.
- Disclosure e assurance: elaborar o texto do relatório conforme os requisitos narrativos do ESRS E1 e submeter ao auditor.
Empresas que terceirizam a gestão de viagens para uma TMC de boa qualidade já partem com vantagem nas etapas 3 e 4, pois os dados são estruturados desde a origem — e não precisam ser reconstruídos às vésperas do fechamento do exercício.
CSRD, Scope 3 e estratégia de descarbonização em viagens
Cumprir a CSRD não é apenas preencher formulários: é o ponto de partida para uma estratégia real de descarbonização. Empresas que já possuem diagnóstico preciso das emissões de viagens conseguem agir em frentes concretas:
- Virtual-first policy: estabelecer critérios claros para quando a viagem é realmente necessária versus quando uma videoconferência resolve — reduzindo emissões e custos.
- Preferência por SAF: contratar companhias aéreas ou programas de compensação que incluam Sustainable Aviation Fuel. Saiba mais sobre esse caminho em nosso artigo sobre SAF e descarbonização em viagens corporativas.
- Consolidação de rotas: reduzir conexões desnecessárias que inflam as emissões por viagem.
- Engajamento de fornecedores: exigir relatórios de carbono de hotéis (ex.: Green Key, BREEAM) e locadoras de veículos — Scope 3 Categoria 1 na cadeia de suprimentos.
- Compensação verificada: para emissões residuais, adquirir créditos de carbono verificados por padrões como Verra VCS ou Gold Standard.
Para uma visão sistêmica sobre como integrar sustentabilidade à cultura de viagens da empresa, consulte nosso conteúdo sobre sustentabilidade corporativa e gestão responsável.
Conte com a Aerotur Corporativo
A Aerotur é uma agência de viagens corporativas com sede em Natal/RN e atuação nacional, especializada em estruturar programas de viagens que entregam tanto eficiência operacional quanto conformidade regulatória. Nossa equipe conhece as exigências da CSRD, do ESRS E1 e dos frameworks de carbono aplicáveis a viagens — e pode ajudar sua empresa a:
- Implantar um fluxo de dados de emissão auditável, do OBT ao relatório consolidado.
- Definir métricas de Scope 3 Categoria 6 alinhadas ao seu setor e metas SBTi.
- Estruturar uma política de viagens com critérios de sustentabilidade sem perder competitividade de tarifas.
- Fornecer relatórios periódicos de carbono prontos para assurance independente.
Se sua empresa está na jornada de conformidade com a CSRD ou simplesmente quer ter visibilidade real sobre o impacto ambiental das viagens corporativas, Fale com a Aerotur e veja como podemos acelerar esse processo com inteligência e praticidade.

