O combustível de aviação sustentável (SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuel) tornou-se o principal instrumento da indústria aérea global para alcançar a neutralidade de carbono até 2050 — e começa a impactar diretamente as decisões de viagens corporativas no Brasil. Para gestores que precisam conciliar mobilidade executiva com metas ESG, entender o que é o SAF, como ele funciona e o que a legislação já exige é um diferencial estratégico.
O que é o combustível de aviação sustentável (SAF)?
O SAF é um querosene de aviação produzido a partir de fontes renováveis ou de baixo carbono, como resíduos agrícolas, óleos de cozinha usados, gorduras animais, biomassa lignocelulósica e até captura de CO₂ atmosférico (e-fuels ou e-SAF). Quimicamente compatível com o querosene convencional (QAV), ele pode ser misturado sem exigir modificações nas aeronaves ou na infraestrutura aeroportuária existente.
O principal diferencial do SAF é a sua capacidade de reduzir até 80% das emissões líquidas de CO₂ ao longo de todo o ciclo de vida do combustível, em comparação ao querosene fóssil. Esse número considera desde a produção da matéria-prima até a combustão no motor — uma análise conhecida como well-to-wake. Além das emissões de CO₂, o SAF também reduz partículas de fuligem e óxidos de nitrogênio, melhorando a qualidade do ar ao redor dos aeroportos.
Metas da IATA e o caminho para o net zero 2050
Em 2021, a IATA (International Air Transport Association) formalizou o compromisso da indústria aérea global de atingir zero emissões líquidas de CO₂ até 2050. O SAF é a maior alavanca nesse plano: estima-se que o combustível sustentável responda por cerca de 65% da redução total necessária.
Os números já mostram avanço, mas ainda há um longo caminho. A IATA projeta que a produção global de SAF tenha chegado a 1,9 milhão de toneladas em 2025 — o dobro de 2024 —, chegando a 2,4 milhões de toneladas em 2026. Apesar do crescimento acelerado, esses volumes representam menos de 1% do total de combustível consumido pela aviação mundial, que gira em torno de 300 milhões de toneladas por ano. Para 2050, serão necessárias 500 milhões de toneladas de SAF anuais para cumprir a meta de net zero.
O sistema CORSIA (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation), administrado pela OACI, complementa o SAF como instrumento de transição. Em sua Fase I (2024–2026), o CORSIA estabelece teto de emissões equivalente a 85% do nível de 2019, obrigando as companhias a compensar ou reduzir o excedente.
ReFuelEU Aviation: o mandato europeu que muda as regras do jogo
A União Europeia saiu na frente com o regulamento ReFuelEU Aviation, parte do pacote climático “Fit for 55”. Em vigor desde 2025, o regulamento determina que fornecedores de combustível em aeroportos europeus misturem percentuais mínimos de SAF ao QAV convencional, com metas progressivas:
- 2025: mínimo de 2% de SAF na mistura;
- 2030: 5 a 6% (incluindo sub-mandato de 1,2% de e-fuels);
- 2050: 70% de SAF na mistura total.
O regulamento se aplica a todos os voos que partem de aeroportos da UE — o que inclui os voos de executivos brasileiros com conexão ou origem em hubs europeus como Lisboa, Frankfurt, Amsterdã e Paris. Na prática, isso significa que parte do custo de conformidade já está sendo embutida nas tarifas aéreas das rotas transatlânticas.
O Brasil e a Lei do Combustível do Futuro
O Brasil deu um passo regulatório histórico com a sanção da Lei 14.993/2024 — a Lei do Combustível do Futuro —, em outubro de 2024. A legislação institui o ProBioQAV, programa nacional que estabelece metas obrigatórias de redução de emissões em voos domésticos por meio do uso de SAF, com cronograma escalonado:
- 2027: redução mínima de 1% nas emissões de voos domésticos;
- 2030: 3%;
- 2037: 10%.
O Brasil reúne condições únicas para se tornar um dos maiores produtores globais de SAF: abundância de biomassa (cana-de-açúcar, milho, soja, resíduos florestais), tecnologia consolidada em biocombustíveis e infraestrutura logística. A Petrobras já lançou SAF produzido integralmente no país, e grupos como Raízen avançam em plantas de produção em escala comercial. O governo projeta que a lei atraia mais de R$ 200 bilhões em investimentos ao longo de sua vigência.
SAF e compensação de carbono: como as companhias aéreas atuam
Diante da pressão regulatória e das demandas de relatórios ESG, as principais companhias aéreas já oferecem produtos de SAF corporativos. No modelo mais comum, a empresa adquire “créditos de SAF” correspondentes ao volume proporcional à sua frota de voos — uma prática conhecida como Book and Claim. O SAF físico não precisa estar no avião específico; o que conta é o balanço global de emissões evitadas.
Grupos como Lufthansa, Air France-KLM e LATAM permitem que clientes corporativos comprem pacotes de SAF para neutralizar emissões de contratos de viagem. A GOL, por exemplo, anunciou iniciativa piloto de compensação via SAF para clientes corporativos no mercado doméstico. Essas iniciativas se integram naturalmente à gestão da pegada de carbono em viagens corporativas, tornando o relatório de emissões mais preciso e auditável para relatórios GRI ou padrões SBTI.
Como incluir o SAF na política de viagens corporativas
A adoção de SAF pode — e deve — ser formalizada na política de sustentabilidade corporativa da empresa. Veja os principais passos práticos:
- Mapeie as emissões atuais: utilize ferramentas de cálculo de emissões por voo (ferramentas ICAO, atmosfair ou as oferecidas pelas próprias companhias) para ter uma linha de base;
- Inclua critérios de SAF na seleção de fornecedores: ao negociar contratos com companhias aéreas ou TMCs (Travel Management Companies), inclua metas de percentual de SAF como critério de pontuação;
- Adquira créditos de SAF proporcionalmente: estabeleça um valor por tonelada de CO₂ e inclua a compra de créditos SAF no orçamento de viagens;
- Reduza voos desnecessários: a revisão de rotas e a otimização de itinerários reduzem o volume total de emissões antes mesmo de qualquer compensação;
- Reporte e comunique: inclua os dados de SAF nos relatórios ESG e nas reuniões de travel management, demonstrando a evolução ao longo do tempo.
A gestão de viagens corporativas profissional é o elo entre intenção e resultado: uma agência especializada consegue consolidar dados de emissões, negociar programas de SAF com companhias aéreas e integrar esses números ao relatório ESG da empresa.
Desafios e perspectivas para 2026 e além
O principal gargalo do SAF ainda é o custo: o combustível sustentável custa entre 3 e 5 vezes mais do que o querosene convencional, dependendo da rota de produção. Com a escala industrial ainda em desenvolvimento, esse diferencial de preço deve diminuir ao longo da década, mas não desaparecerá completamente no curto prazo.
Para as empresas, isso significa que voos com maior participação de SAF podem ser marginalmente mais caros. No entanto, à medida que os mandatos regulatórios (como o ReFuelEU e o ProBioQAV) se intensificam, a tendência é que o SAF seja gradualmente absorvido na tarifa base — tornando a discussão menos sobre “custo adicional” e mais sobre “custo estrutural da aviação limpa”.
O mercado global de SAF foi avaliado em mais de US$ 1,7 bilhão em 2024 e deve crescer a taxas superiores a 50% ao ano nos próximos cinco anos, segundo análises do setor. Empresas que antecipam essa transição saem na frente: reduzem riscos regulatórios, fortalecem o posicionamento ESG e ganham credibilidade junto a investidores e parceiros internacionais.
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