Benchmarking: como comparar seu programa com o mercado

Fita métrica amarela enrolada sobre fundo claro, representando a comparação de indicadores no benchmarking de viagens corporativas

Fazer benchmarking de viagens corporativas é a única forma de responder, com alguma honestidade, à pergunta que toda diretoria faz mais cedo ou mais tarde: “estamos gastando muito com viagens?”. Sem uma referência externa, a resposta vira opinião. O gestor acha que está bem, o financeiro acha que está caro, e a discussão termina onde começou. O problema é que comparar programas de viagem é mais difícil do que parece — e uma comparação mal feita produz conclusões piores do que nenhuma comparação.

Este artigo mostra quais referências existem de fato no Brasil, quais só se obtêm por outros caminhos, e como montar uma comparação que resista às perguntas de quem conhece o próprio negócio.

O que é benchmarking de viagens corporativas — e o que não é

Benchmarking é comparar os próprios indicadores com uma referência externa para identificar onde há espaço de melhoria. Em viagens, isso significa confrontar números como tarifa média, diária média, antecedência de compra ou custo por viagem com dados de mercado ou de empresas semelhantes.

O que benchmarking não é: descobrir se a empresa gasta mais ou menos que “a média”. A média do mercado mistura setores, portes, rotas e perfis de viajante completamente diferentes. Uma consultoria que vende horas de especialistas e precisa embarcar gente em cima da hora vai ter tarifa média maior que uma indústria que planeja visitas a fornecedores com um mês de antecedência — e isso não significa que a consultoria seja mal gerida. Benchmarking útil compara coisas comparáveis.

As referências públicas que existem no Brasil

Há poucas fontes abertas, mas elas são sólidas e atualizadas com regularidade. Vale conhecer o que cada uma mede — e o que não mede.

Tarifa aérea média doméstica (ANAC). A Agência Nacional de Aviação Civil publica mensalmente a tarifa média paga nos voos domésticos. Em 2025, a média anual ficou perto de R$ 648 por trecho, abaixo dos cerca de R$ 670 de 2024. Em 2026, o indicador oscilou bastante: R$ 707,16 em março, alta de 17,8% sobre o mesmo mês do ano anterior; R$ 669,41 em abril; R$ 632,53 em maio, alta de 11,2% na comparação anual. É a melhor referência de tendência de preço aéreo no país. Duas ressalvas importantes: o número considera apenas a tarifa bruta, sem serviços extras como bagagem e marcação de assento, e mistura passageiros de lazer e de negócios.

Faturamento e tíquete médio das agências corporativas (Abracorp). A associação das agências de viagens corporativas divulga periodicamente o desempenho das empresas associadas. No primeiro semestre de 2026, o faturamento chegou a R$ 7,18 bilhões, alta de 14,77%. O aéreo movimentou R$ 4,27 bilhões e a hotelaria, R$ 2,12 bilhões, com crescimento de 23% no segmento. O tíquete médio de hospedagem passou de R$ 389,65 para R$ 396,12 no semestre, e o tíquete médio geral, considerando janeiro a agosto, subiu de R$ 726,55 para R$ 761,10. São referências muito próximas do universo corporativo, porque vêm de compras feitas por empresas.

Tamanho do mercado (FecomercioSP e Alagev). O levantamento mensal de viagens corporativas feito pela federação em parceria com a associação de gestores indica que a atividade movimentou R$ 147,8 bilhões em 2025, com crescimento de 6,3%, e projeta cerca de R$ 158 bilhões para 2026. Não serve para comparar custo unitário, mas ajuda a contextualizar o crescimento do próprio gasto.

Projeções internacionais de preço. Estudos como o Global Business Travel Forecast, produzido pela GBTA com a ALTOUR, indicam para onde vão os preços no mundo. Para 2027, a projeção é de desaceleração: cerca de 1,5% de alta no aéreo e 1,8% na hotelaria. Útil para orçamento, menos útil para comparar desempenho.

As referências que não estão no domínio público

Os dados mais úteis para comparação — custo por viagem em empresas do mesmo setor, adesão à política, antecedência média por perfil — raramente são publicados. Eles existem, mas chegam por outros caminhos:

  • A própria agência. Uma agência que atende dezenas de empresas consegue comparar, de forma anônima, os indicadores de um cliente com os de outros de perfil semelhante. É a fonte de benchmark mais rica e menos explorada.
  • Associações e grupos de gestores. Fóruns de profissionais de viagens corporativas costumam fazer pesquisas entre associados e trocar referências em eventos e comitês.
  • Troca entre pares. Conversas estruturadas com gestores de empresas não concorrentes do mesmo porte e setor rendem mais do que qualquer relatório genérico.
  • Estudos pagos. Consultorias especializadas e fornecedores de tecnologia publicam benchmarks próprios, com metodologia que vale a pena examinar antes de usar.

A armadilha: comparar empresas diferentes

A maior parte dos benchmarks mal feitos erra no mesmo ponto: compara números que parecem iguais, mas medem realidades diferentes. Seis fatores distorcem qualquer comparação se não forem considerados:

  • Mix de destinos. Uma empresa que voa muito entre São Paulo e Brasília tem tarifa média diferente de outra que atende cidades do interior com conexão.
  • Proporção internacional. Poucas viagens internacionais mudam completamente o custo médio por viagem.
  • Antecedência de compra. O setor define a antecedência possível. Atendimento a incidente não se compra com 21 dias.
  • Perfil de viajante. Diretoria, equipe técnica e força de vendas viajam de formas diferentes, em classes e horários diferentes.
  • Duração das viagens. Viagens de um dia não têm hospedagem; viagens de uma semana têm cinco diárias.
  • Período analisado. Comparar um semestre de preços altos com um ano de preços baixos gera conclusões sem sentido.

É por isso que a tarifa média corporativa costuma ficar acima da média da ANAC — e isso, sozinho, não indica problema. Viajantes de negócios compram mais perto da data, voam em horários de maior demanda e usam rotas concentradas. O que importa é a tendência e a comparação dentro de segmentos equivalentes.

Como fazer um benchmarking honesto, passo a passo

  1. Comece pela pergunta. “Estamos gastando muito?” é vaga demais. “Nossa tarifa média na rota São Paulo–Recife está acima do mercado?” é respondível.
  2. Use indicadores normalizados. Compare custo por viagem, por viajante, por trecho ou por noite — nunca o gasto total, que depende do tamanho da empresa.
  3. Segmente antes de comparar. Separe doméstico e internacional, rotas principais, cidades de maior hospedagem, faixas de antecedência e classes de serviço.
  4. Alinhe o período. Compare o mesmo intervalo de tempo e considere a variação de preço do setor. Se a tarifa média do mercado subiu 11% e a sua subiu 6%, houve ganho, mesmo com o custo maior.
  5. Compare também consigo mesmo. A série histórica do próprio programa é o benchmark mais confiável que existe, porque o perfil da empresa muda pouco de um ano para o outro.
  6. Documente a metodologia. Registre fonte, período, filtros e ajustes. Sem isso, o número não sobrevive à primeira pergunta.

Os indicadores que valem comparar

Nem todo indicador tem referência externa, mas todos têm valor quando acompanhados no tempo. Os que mais rendem em uma comparação:

  • Tarifa média por rota, nas cinco ou dez rotas que concentram o volume.
  • Antecedência média de compra e percentual de bilhetes comprados com menos de sete dias.
  • Diária média por cidade, nas praças de maior hospedagem.
  • Adesão ao canal oficial, que define se os outros números são confiáveis.
  • Taxa de remarcação e de cancelamento, com o custo associado.
  • Custo médio por viagem e por viajante, que neutralizam o efeito de crescimento da empresa.
  • Satisfação do viajante, para garantir que a economia não está sendo feita às custas de quem viaja.

Esses indicadores conversam diretamente com o conjunto de KPIs de viagens corporativas e com a análise de custo médio por viagem. O benchmark não substitui o acompanhamento interno; ele dá contexto a ele.

Como apresentar o resultado para a diretoria

Um formato simples funciona melhor do que qualquer painel sofisticado: para cada indicador, três colunas. Na primeira, o número da empresa. Na segunda, a referência usada, com a fonte. Na terceira, a explicação da diferença. “Nossa diária média em São Paulo está 18% acima do tíquete médio do setor porque 70% das nossas hospedagens são na região da Avenida Paulista, próximas aos clientes” é uma frase que a diretoria entende e aceita. “Estamos 18% acima da média” gera uma ordem de corte que pode sair mais cara.

Vale fechar a apresentação com duas ou três ações concretas derivadas da comparação — renegociar hotéis em uma praça específica, elevar a antecedência em uma rota, rever a regra de classe em voos curtos. Benchmark sem ação é curiosidade.

Benchmarking e maturidade andam juntos

Só dá para comparar o que se mede, e só se mede com dados confiáveis. Por isso o benchmarking faz sentido a partir de um certo nível de organização do programa — quando as reservas estão concentradas em um canal e a despesa chega classificada. Empresas nos primeiros degraus da maturidade do programa de viagens ganham mais organizando os próprios dados do que buscando referências externas. Nessa etapa, uma boa estrutura de consolidação de dados vem antes de qualquer comparação.

Conte com a Aerotur Corporativo

Um bom benchmarking de viagens corporativas depende de duas coisas: dados próprios organizados e acesso a referências comparáveis. A agência é o parceiro natural para as duas, porque consolida o histórico da empresa e enxerga o comportamento de outros programas de perfil semelhante.

A Aerotur fornece relatórios por rota, cidade e centro de custo, acompanha a evolução de tarifa e diária em relação ao mercado e ajuda a transformar a comparação em ações concretas. Para saber como o seu programa se posiciona, Fale com a Aerotur.

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Escrito por:
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