Bilhetes não voados: o dinheiro que expira em dezembro

Poltronas vazias na cabine de um avião, junto às janelas, representando os bilhetes não voados

Os bilhetes não voados são um dos custos mais invisíveis de um programa de viagens. A reunião é cancelada, o projeto muda de data, o colaborador adoece na véspera — e a passagem já emitida fica parada. Ela não aparece como perda na fatura do mês; aparece apenas como uma viagem que não aconteceu. O valor pago, porém, continua existindo por um tempo, na forma de crédito com a companhia aérea. Se ninguém acompanhar, ele simplesmente expira.

O fim do ano é o momento em que esse problema fica mais evidente: passagens emitidas no último trimestre do ano passado, para viagens que não aconteceram, estão perto de vencer. Este artigo mostra como funcionam as regras, como levantar o saldo, quem deve controlar e como montar um calendário de vencimentos que evite perdas.

O que é um bilhete não voado

É toda passagem emitida e não utilizada, total ou parcialmente. Entram nessa conta a viagem cancelada pela empresa depois da emissão, o trecho de volta que não foi usado porque o viajante retornou de carro, a passagem de quem saiu da empresa antes de viajar e o voo perdido sem aviso prévio.

O que acontece com o valor depende de três fatores: as regras da tarifa comprada, o momento em que a viagem foi cancelada e o prazo de validade do bilhete. Em alguns casos, o valor pode ser reembolsado; em outros, pode ser usado em uma nova viagem, mediante taxa e diferença de tarifa; em outros, quase nada é recuperável.

Quanto tempo o valor vale

O Código Brasileiro de Aeronáutica estabelece, no artigo 228, que o bilhete de passagem tem validade de um ano a partir da data de emissão. É dentro desse prazo que o valor de uma passagem não utilizada pode, conforme as regras da tarifa, ser aproveitado.

Na prática, cada companhia tem procedimentos próprios para transformar o bilhete não utilizado em crédito, remarcação ou reembolso, e esses procedimentos mudam com alguma frequência. Por isso, a regra de ouro é simples: o prazo começa a contar na emissão, e não na data do voo. Uma passagem emitida em novembro do ano passado para uma viagem cancelada em janeiro vence agora, em novembro — e muitas vezes ninguém lembra que ela existe.

As regras que mais influenciam o valor recuperável

O tipo de tarifa. Tarifas flexíveis permitem reembolso ou remarcação com multa baixa ou nenhuma. Tarifas promocionais costumam permitir apenas a remarcação, com taxa e diferença de preço, ou nem isso. A regulamentação da ANAC obriga as companhias a oferecer ao menos uma opção de tarifa em que a multa por reembolso ou remarcação não ultrapasse 5% do valor dos serviços de transporte aéreo — mas a escolha da tarifa é feita na compra, e é ali que se define quanto será recuperável. O artigo sobre tarifa flexível ou promocional ajuda nessa decisão.

As primeiras 24 horas. Pela Resolução 400 da ANAC, o passageiro pode desistir da compra sem custo em até 24 horas após receber o comprovante, desde que a compra tenha sido feita com pelo menos sete dias de antecedência do voo. Quando uma viagem é cancelada logo depois da emissão, vale verificar se ainda está dentro dessa janela.

O aviso antes do embarque. Em voos domésticos, quem não embarca no trecho de ida pode ter o trecho de volta cancelado pela companhia — a menos que avise, até o horário originalmente contratado para a ida, que pretende usar a volta. Além disso, muitas tarifas preveem perda maior do valor quando o passageiro simplesmente não aparece, em comparação ao cancelamento feito antes do voo. O artigo sobre no-show detalha esse ponto.

Mesmo quando a tarifa não prevê reembolso, vale perguntar à companhia, por meio da agência, se há valores recuperáveis, como taxas cobradas por serviços que não foram prestados.

Bilhetes não voados: como levantar o saldo

O primeiro passo é saber quanto dinheiro está parado. Peça à agência um relatório de bilhetes não utilizados com, no mínimo:

  • nome do passageiro e centro de custo;
  • companhia aérea e número do bilhete;
  • data de emissão e data-limite de uso;
  • valor original e valor residual estimado;
  • regras da tarifa: permite remarcação? com qual taxa? permite reembolso?

Esse relatório cobre as passagens emitidas pela agência. As compradas diretamente pelos colaboradores, no site da companhia ou com cartão corporativo, ficam fora — e costumam ser justamente as que mais se perdem. Cruzar o extrato do cartão corporativo com as viagens realizadas ajuda a encontrar parte delas. Quando o volume de compras fora do canal oficial é grande, o problema é maior do que os bilhetes: é o que se chama de leakage em viagens corporativas.

Um exemplo para dimensionar o problema

Imagine uma empresa que emite 600 passagens por ano, com preço médio de R$ 1.100. Se 5% delas não forem voadas — proporção usada aqui apenas como ilustração —, são 30 bilhetes e R$ 33 mil em valor original parado ao longo do ano.

Nem todo esse valor é recuperável: parte dos bilhetes foi comprada em tarifas restritas, parte perdeu valor por falta de aviso antes do voo. Suponha que metade possa ser aproveitada em novas viagens, descontadas taxas e diferenças de tarifa. Ainda assim, são cerca de R$ 15 mil que voltam para a empresa se houver controle — e que expiram, sem deixar rastro na contabilidade, se não houver.

Os números são hipotéticos, e cada programa tem sua própria realidade. O exercício vale para mostrar a ordem de grandeza — e, em empresas com volume maior de viagens, o valor em jogo cresce na mesma proporção. Fazer essa conta com os dados reais da empresa costuma ser o argumento que faltava para organizar o controle.

Quem controla

Bilhete não voado é um daqueles assuntos que todos acham que é responsabilidade de outra pessoa. O viajante acha que a agência cuida; a agência espera a empresa pedir; o financeiro nem sabe que o crédito existe. Uma divisão clara resolve:

  • Gestão de viagens: é dona da lista. Acompanha os vencimentos, cobra providências e decide o que fazer com cada crédito.
  • Agência: mantém o relatório atualizado e, a cada nova reserva, verifica se o mesmo passageiro tem crédito disponível na mesma companhia, aplicando-o antes de emitir uma passagem nova.
  • Viajante: avisa o cancelamento assim que souber, e sempre antes do horário do voo.
  • Financeiro: acompanha os reembolsos solicitados até que o dinheiro efetivamente volte, e confere se os créditos aparecem nas faturas seguintes, como parte da conferência da fatura de viagens.

O calendário de vencimentos

Com a lista em mãos, o controle fica simples se seguir um calendário fixo:

  1. Ordene os créditos por data-limite, do mais próximo ao mais distante.
  2. Crie alertas para 90, 60 e 30 dias antes de cada vencimento.
  3. Revise a lista uma vez por mês com a agência, priorizando os maiores valores e os vencimentos mais próximos.
  4. Vincule o crédito à próxima viagem do mesmo passageiro na mesma companhia, sempre que as regras permitirem.
  5. Registre o destino de cada crédito: usado, reembolsado ou expirado. Os expirados mostram onde o processo falhou.

Uma ressalva importante: em regra, o crédito fica vinculado ao passageiro do bilhete original e não pode ser transferido para outra pessoa. Por isso, criar uma viagem apenas para “não perder o crédito” raramente faz sentido — a mesma lógica vale para o saldo orçamentário de fim de ano. O objetivo é aproveitar o crédito nas viagens que já aconteceriam.

Como reduzir os não voados daqui para a frente

Controlar os créditos é necessário, mas o melhor resultado vem de reduzir a quantidade de bilhetes que ficam sem uso. Algumas práticas ajudam:

Emitir na hora certa. Comprar cedo costuma ser mais barato, mas comprar uma viagem que ainda não está confirmada aumenta o risco de não voar. Para viagens incertas, vale reservar a tarifa e emitir quando a agenda estiver fechada, ou optar por uma tarifa com remarcação mais barata.

Cancelar antes do voo, sempre. Uma regra simples na política — “se não for viajar, avise antes do horário de embarque” — preserva mais valor do que qualquer controle posterior.

Olhar o crédito antes do desligamento. Quando um colaborador sai da empresa, os créditos vinculados ao nome dele tendem a se perder. Incluir a verificação no processo de desligamento evita essa perda.

Medir. O percentual de bilhetes não voados sobre o total emitido e o valor expirado por trimestre são indicadores simples. Se sobem, há algo a corrigir no planejamento das viagens ou na política de emissão. O artigo sobre cancelamento de viagens traz outras práticas.

E na contabilidade?

Muitas empresas registram a passagem como despesa no momento da compra. Quando a viagem não acontece, o crédito com a companhia continua tendo valor, mas não aparece em lugar nenhum dos relatórios financeiros. Vale combinar com a contabilidade como esses créditos serão acompanhados — ao menos em um controle gerencial — para que o valor recuperado ou perdido fique visível no fechamento do ano.

Conte com a Aerotur Corporativo

Os bilhetes não voados não somem de uma vez: eles expiram em silêncio, um a um, enquanto ninguém olha. Com um relatório atualizado, responsáveis definidos e um calendário de vencimentos, boa parte desse valor volta para a empresa na forma de viagens que já iam acontecer.

A Aerotur acompanha os créditos de passagens não utilizadas dos seus clientes, aplica esses créditos nas novas emissões sempre que as regras permitem e envia relatórios periódicos com os vencimentos. Se você quer saber quanto dinheiro sua empresa tem parado em bilhetes, Fale com a Aerotur.

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Escrito por:
Aerotur

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