Workation — a combinação das palavras work (trabalho) e vacation (férias) — é uma prática que permite ao profissional desempenhar suas funções remotamente enquanto está em um destino de lazer, por um período determinado. O conceito ganhou força durante a pandemia de COVID-19 e, em 2026, consolida-se como um benefício estratégico para empresas que buscam atrair e reter talentos em um mercado de trabalho altamente competitivo. Mas implementar o workation de forma estruturada exige mais do que boa vontade: requer política clara, entendimento da legislação trabalhista brasileira e infraestrutura adequada.
Workation e bleisure: conceitos próximos, mas distintos
É comum que workation seja confundido com bleisure — a prática de estender viagens a trabalho para incluir atividades de lazer. A diferença está na origem do deslocamento:
- No bleisure, o ponto de partida é uma viagem corporativa: o profissional aproveita dias extras antes ou depois de um compromisso de trabalho para explorar o destino;
- No workation, o ponto de partida é o lazer: o profissional escolhe um destino por prazer e mantém o trabalho remoto durante a estadia, geralmente por sua própria conta.
Outra distinção importante é com o home office e o teletrabalho regulamentados pela CLT. O workation não substitui essas modalidades — ele é uma prática temporária e opcional, que ocorre durante um período específico, em local escolhido pelo colaborador.
Benefícios do workation para empresas e colaboradores
Quando bem implementado, o workation gera valor em múltiplas dimensões:
Para os colaboradores
- Maior motivação e criatividade: novos ambientes estimulam o pensamento lateral e reduzem a monotonia do trabalho cotidiano;
- Equilíbrio vida-trabalho: a possibilidade de trabalhar de um destino desejado fortalece a percepção de autonomia e bem-estar;
- Redução de custos pessoais: ao combinar trabalho e férias, o profissional otimiza seu tempo e seu orçamento de viagem;
- Engajamento com a empresa: benefícios percebidos como inovadores aumentam o sentimento de pertencimento.
Para as empresas
- Retenção de talentos: segundo pesquisa da FlexJobs, 77% dos profissionais afirmam ser mais produtivos trabalhando remotamente — e a flexibilidade de local é um dos fatores determinantes para a decisão de permanecer em uma empresa;
- Employer branding: empresas que oferecem workation são percebidas como inovadoras e preocupadas com qualidade de vida;
- Redução de custos operacionais: menor pressão sobre a infraestrutura física de escritório durante os períodos de workation;
- Atração de talentos remotos: o benefício funciona como diferencial competitivo na captação de profissionais qualificados.
Empresas como CI&T e Google Brasil já adotam políticas formalizadas de workation: a CI&T permite até 90 dias por ano em qualquer país; o Google Brasil, até quatro semanas consecutivas. Esses benchmarks orientam empresas menores na calibração de seus próprios limites.
Aspectos trabalhistas e fiscais no Brasil
Este é o ponto que mais gera dúvidas — e onde erros de implementação podem ter consequências legais. Em 2026, a CLT ainda não possui regulamentação específica para workation. A prática é governada pela legislação de trabalho remoto, com algumas particularidades importantes:
Responsabilidade pelos custos
Em contraste com viagens a trabalho — onde a empresa é responsável por passagens, hospedagem e diárias — no workation a iniciativa parte do colaborador e os custos de deslocamento e acomodação são, em regra, de responsabilidade do profissional. A empresa não tem obrigação legal de subsidiar a viagem. No entanto, deve garantir os equipamentos e ferramentas necessários para o trabalho remoto, ou compensar financeiramente o colaborador por isso.
Controle de jornada
A CLT exige que empregadores e empregados firmem acordo individual explicitando as condições do trabalho remoto, incluindo como a jornada será monitorada. Durante o workation, o colaborador não está em “trabalho externo” — ele mantém sua jornada contratual e os direitos a ela associados (hora extra, descanso semanal remunerado, etc.).
Impostos e destinos internacionais
Para workation em outros países, há implicações fiscais adicionais. Dependendo da duração da estadia, o colaborador pode ser considerado residente fiscal no país de destino, com obrigações tributárias locais. Destinos populares como Portugal, Espanha e países do Caribe têm visto crescimento de vistos específicos para nômades digitais — mas cada caso exige análise jurídica individualizada.
A política de viagens corporativas deve contemplar explicitamente o workation, diferenciando-o das demais modalidades de deslocamento e definindo limites claros de elegibilidade e duração.
Como estruturar a política de workation na sua empresa
Uma política eficaz de workation deve responder a pelo menos seis perguntas fundamentais:
- Quem pode fazer workation? Definir critérios de elegibilidade — tempo de empresa, cargo, tipo de função, desempenho recente;
- Por quanto tempo? Estabelecer limites de duração (ex: até 30 dias consecutivos, até 60 dias por ano);
- Onde? Listar destinos permitidos, com restrições para países com instabilidade política, tributação complexa ou baixa qualidade de infraestrutura;
- Como comunicar? Definir processo de solicitação e aprovação, com antecedência mínima;
- Quais são as obrigações do colaborador? Garantir conexão estável, disponibilidade nos horários contratados e participação em reuniões regulares;
- O que a empresa cobre? Ser explícito sobre o que é ou não reembolsável — geralmente apenas internet e equipamentos, não passagem e hospedagem.
A política deve ser formalizada em documento escrito e integrada às regras corporativas de viagens já existentes, garantindo segurança jurídica para ambas as partes.
Infraestrutura necessária para o workation funcionar
Do lado da empresa, viabilizar o workation requer uma infraestrutura tecnológica e de gestão robusta:
- Ferramentas de colaboração assíncrona: plataformas como Slack, Notion, Trello ou Asana permitem que equipes distribuídas mantenham a produtividade mesmo com fusos horários diferentes;
- Videoconferência estável: Zoom, Google Meet ou Microsoft Teams com qualidade adequada para reuniões com clientes;
- VPN corporativa: para acesso seguro a sistemas internos a partir de redes externas;
- Segurança da informação: políticas claras sobre uso de redes públicas de Wi-Fi e proteção de dados sensíveis em ambientes externos;
- Gestão por resultados: líderes precisam migrar do modelo de controle por presença para avaliação por entregáveis — pré-requisito cultural para o workation funcionar.
Tendências do workation para empresas em 2026
O workation posiciona-se em 2026 como elemento central da proposta de valor ao empregado (EVP) de empresas que competem por profissionais qualificados. Algumas tendências emergentes:
- Workation coletivo: empresas que organizam semanas de trabalho remoto para equipes inteiras em destinos específicos, combinando produtividade e integração;
- Parcerias com destinos: municípios e resorts que oferecem infraestrutura dedicada a trabalhadores remotos, com conectividade de alta velocidade e espaços de coworking;
- Benefícios flexíveis integrados: plataformas de benefícios corporativos que incluem créditos para workation como opção de escolha do colaborador.
Para empresas que valorizam a retenção de funcionários, o workation representa uma das alavancas mais acessíveis e de alto impacto na experiência do colaborador.
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