Custo total do programa de viagens: o que ninguém soma

Iceberg em mar aberto com céu nublado, representando os custos ocultos do programa de viagens

O custo total do programa de viagens quase nunca aparece em um relatório. O que aparece é a parte visível: passagens, diárias de hotel, transporte, alimentação. Essa é a linha que a diretoria acompanha e que todo mundo tenta reduzir. Mas, como um iceberg, a maior parte do custo está abaixo da superfície — na taxa da agência, nas licenças de sistemas, nas horas de quem solicita, aprova, reserva, presta contas, confere e concilia, e no custo de cada erro que precisa ser refeito. Quem otimiza só a parte visível pode estar economizando na passagem e perdendo muito mais no processo.

Este artigo mostra como enxergar a conta inteira: o que entra no custo total, como estimar cada parcela e onde o dinheiro costuma escapar sem que ninguém perceba.

As três camadas do custo total do programa de viagens

Uma forma prática de organizar a conta é dividir o custo em três camadas, da mais visível para a menos visível.

1. Custo direto de fornecedores. É tudo o que se paga a quem presta o serviço de viagem: companhias aéreas, hotéis, locadoras, transporte terrestre, restaurantes, seguro viagem, vistos e autorizações eletrônicas. É a camada que já aparece no controle da maioria das empresas e onde se concentra quase toda a atenção.

2. Custo de operação. É o que se paga para que a viagem aconteça de forma organizada: a remuneração da agência — seja por taxa de serviço por transação, seja por fee de gestão —, as taxas de emissão e de remarcação, a licença da plataforma de reservas e do sistema de despesas, tarifas do cartão corporativo, custos de conectividade e de assistência. Essa camada costuma estar espalhada em contas diferentes e raramente é somada à linha de viagens.

3. Custo interno. É o tempo das pessoas. O colaborador que pesquisa voos e preenche a solicitação, o gestor que aprova, quem faz a reserva quando ela não passa pela agência, o viajante que monta a prestação de contas, o analista que confere comprovantes, a controladoria que concilia a fatura, o financeiro que processa reembolsos. E também o tempo do próprio viajante em deslocamento, que é pago e nem sempre produtivo. É a camada mais cara em muitos programas — e a única que ninguém vê no relatório.

O custo que mais surpreende: processar despesas

A prestação de contas parece uma formalidade barata. Os números mostram o contrário. Um estudo da fundação da GBTA sobre práticas de gestão de despesas estimou que um relatório de despesas custa, em média, US$ 58 para ser processado e leva cerca de 20 minutos para ser preenchido. Quase um em cada cinco relatórios — 19% — chega com erro ou informação faltando, e cada correção custa mais US$ 52 e outros 18 minutos.

Os valores variam de país para país, mas a proporção é reveladora. Para ter uma ideia do peso, imagine uma empresa que processa 400 relatórios de despesas por mês. Só o preenchimento consome mais de 130 horas mensais dos viajantes. Se 19% tiverem erro, são cerca de 76 relatórios devolvidos, somando mais de 20 horas de correção — sem contar o tempo de quem identificou o erro, devolveu e conferiu de novo. Ao longo de um ano, estamos falando de milhares de horas de gente qualificada fazendo trabalho que não gera nenhum valor.

O primeiro passo para reduzir esse custo é ter um processo de relatório de despesas bem definido. O segundo é reduzir a quantidade de despesas que precisam ser reembolsadas, concentrando o máximo possível em faturamento direto.

O tempo do viajante também é custo

O colaborador em trânsito continua recebendo salário. Quando a escolha de um itinerário economiza R$ 300 na tarifa, mas acrescenta cinco horas de conexão para um gerente sênior, a empresa não economizou — trocou custo visível por custo invisível. O mesmo vale para o hotel mais barato a uma hora do compromisso, que exige transporte e consome parte do dia.

Colocar o tempo na conta exige uma estimativa de custo-hora por faixa de colaboradores e a comparação de itinerários por tempo porta a porta, não apenas por duração de voo. O artigo sobre o custo do tempo em viagens corporativas detalha esse cálculo.

Custos de falha: o que se paga por fazer errado

Há ainda uma categoria que atravessa as três camadas: o custo das falhas. É o que se gasta porque algo não saiu como deveria.

  • Remarcação e cancelamento. Taxas cobradas pela companhia e, muitas vezes, a diferença tarifária de comprar em cima da hora.
  • No-show. A diária de hotel cobrada integralmente porque ninguém avisou que a viagem foi cancelada.
  • Bilhetes não utilizados. Passagens emitidas e não voadas que viram crédito com prazo — e expiram quando ninguém acompanha.
  • Compra de última hora. A tarifa mais cara porque a solicitação ficou dias parada na aprovação.
  • Erros de emissão. Nome divergente do documento, data errada, trecho trocado — tudo exige reemissão.
  • Pagamento duplicado. A mesma despesa reembolsada ao viajante e faturada pela agência.

Individualmente, cada falha parece pequena. Somadas ao longo de um ano, formam uma linha que muitas vezes supera a economia obtida em negociações comerciais.

Como calcular o custo total, passo a passo

  1. Liste as categorias. Use as três camadas como estrutura e inclua os custos de falha como uma quarta linha.
  2. Identifique a fonte de cada uma. Custo direto vem da fatura da agência e dos reembolsos; custo de operação vem de contratos e faturas de fornecedores de tecnologia; custo interno exige estimativa.
  3. Estime as horas internas. Para cada atividade — solicitar, aprovar, reservar, prestar contas, conferir, conciliar —, estime os minutos gastos por viagem e multiplique pelo volume anual. Aplique um custo-hora médio para cada perfil envolvido.
  4. Levante os custos de falha. A agência consegue informar volume e valor de remarcações, cancelamentos, no-shows e bilhetes não voados do período.
  5. Consolide por viagem. Divida o total pelo número de viagens do ano. O resultado é o custo total por viagem — um número bem diferente do custo médio que costuma circular.

Não é preciso precisão contábil. Uma estimativa bem fundamentada, com premissas registradas, já muda completamente a conversa sobre onde investir.

Dois indicadores que resumem tudo

Custo total por viagem. Soma das três camadas e dos custos de falha, dividida pelo número de viagens. Ele complementa o custo médio de viagens corporativas, que normalmente considera apenas fornecedores, e mostra quanto realmente custa colocar alguém na estrada.

Relação entre custo de processo e custo direto. Quanto a empresa gasta em operação e horas internas para cada real gasto com fornecedores. Quando essa relação é alta, o programa está caro de administrar — e a economia mais rápida não está na tarifa, está no processo.

Onde o custo total cai quando o programa amadurece

As maiores reduções de custo total raramente vêm de desconto em passagem. Elas vêm de mudanças de processo:

  • Concentrar o canal. Reservas feitas por um canal único geram menos erro, menos retrabalho e dados confiáveis.
  • Faturar em vez de reembolsar. Cada despesa faturada diretamente contra a empresa é um item a menos na prestação de contas, na conferência e no reembolso.
  • Aprovar por regra. Viagens dentro da política podem seguir sem aprovação manual; o gestor só olha as exceções. Isso reduz tempo e evita compras tardias. O desenho do fluxo de aprovação faz diferença direta no preço final.
  • Automatizar a prestação de contas. Captura de comprovante no celular, leitura automática de dados e conciliação com o cartão eliminam boa parte da digitação.
  • Controlar créditos. Uma rotina simples de acompanhamento de bilhetes não utilizados recupera dinheiro que já estava perdido.

Quem deve fazer essa conta — e com que frequência

O custo total não pertence a uma única área. A controladoria conhece os lançamentos e o custo-hora; a área de viagens conhece o processo e onde estão os gargalos; a agência tem os dados de remarcação, cancelamento, no-show e créditos. O cálculo fica melhor quando as três fontes são combinadas em uma única planilha, com premissas registradas.

Uma vez por ano é suficiente para a conta completa, de preferência antes do ciclo orçamentário, para que o resultado oriente as decisões do ano seguinte. Vale refazer também sempre que houver uma mudança estrutural: troca de agência, implantação de uma nova ferramenta, mudança no modelo de pagamento ou revisão importante da política. Comparar o custo total antes e depois de uma mudança é a forma mais honesta de saber se ela valeu a pena.

Um alerta sobre a taxa da agência

Na hora de contratar, é comum comparar agências apenas pela taxa de serviço. É um erro compreensível, porque a taxa é o número mais visível da proposta. Mas uma agência com taxa menor que emite com mais erros, atende mal fora do horário comercial, não controla bilhetes não voados e entrega relatórios que exigem retrabalho da controladoria pode sair muito mais cara no custo total.

A comparação correta é entre o custo total esperado com cada fornecedor — taxa, qualidade de emissão, atendimento, dados, recuperação de créditos e impacto nas horas internas. É o que faz uma agência de gestão de viagens gerar valor além do preço da passagem.

Conte com a Aerotur Corporativo

Enxergar o custo total do programa de viagens muda a forma de decidir: o foco sai da tarifa isolada e vai para o processo inteiro, onde estão as maiores oportunidades. Para isso, é preciso reunir informações que hoje estão espalhadas entre a agência, a controladoria e as áreas.

A Aerotur ajuda empresas a levantar o custo total por viagem, fornece os dados de remarcações, cancelamentos e créditos não utilizados, e trabalha com faturamento consolidado para reduzir reembolsos e retrabalho. Para descobrir quanto o seu programa realmente custa, Fale com a Aerotur.

Compartilhe agora

Escrito por:
Aerotur

Sobre o que você quer falar?

Disney
Disney

Disponível

Indisponível

Intercâmbios
Intercâmbios

Disponível

Indisponível

Viagens
Viagens

Disponível

Indisponível

Corporativo
Corporativo

Disponível

Indisponível

Viagens Escolares
Viagens Escolares

Disponível

Indisponível

Consolidadora
Consolidadora

Disponível

Indisponível

Casas para aluguel
Casas para aluguel

Disponível

Indisponível

Plantão
Plantão

Disponível (19h às 08h)

Indisponível

Sobre o que você quer falar?

Intercâmbios

Corporativo

Viagens Escolares

Consolidadora

Casas para aluguel