A geração Z viagens corporativas já é uma realidade que os gestores de travel não podem mais ignorar. Segundo levantamento da Onfly publicado em 2026, a participação da Gen Z entre os viajantes corporativos no Brasil saltou de 12,8% em 2022 para 18,6% em 2025 — e esse número continuará crescendo à medida que esses profissionais avançam em suas carreiras e assumem posições que exigem mais deslocamentos a trabalho.
Adaptar o programa de viagens para esse perfil não é apenas uma questão de conforto: é uma estratégia de atração, engajamento e retenção. Um dado é especialmente revelador: 76% dos profissionais da Geração Z afirmam que as viagens corporativas influenciam diretamente sua decisão de permanecer na empresa. Neste artigo, analisamos o perfil desse viajante e mostramos como adaptar política, ferramentas e benefícios para atender suas expectativas.
Quem é o viajante da Geração Z
A Geração Z — nascida entre 1997 e 2012 — entrou no mercado de trabalho em um mundo pós-pandemia, com trabalho híbrido normalizado, comunicação instantânea como padrão e expectativa de propósito em tudo que faz. Quando viaja a trabalho, esse conjunto de valores vai junto na mala.
Dados da pesquisa Onfly revelam um perfil específico do viajante Gen Z no Brasil em 2025:
- Reservas de última hora: media de antecedência de apenas 8 dias, contra 13 dias de outras gerações
- Preferência por modal terrestre: 64,9% das viagens de ônibus intermunicipal são feitas por Gen Z, reflexo de posições iniciais de carreira e consciência de custos
- Maior gasto em alimentação e mobilidade: 44,2% do gasto em alimentação (vs. 40,2% de outras gerações) e 14,7% em transporte por aplicativo (vs. 10,9%)
- Baixas taxas de cancelamento: entre 4,3% e 4,7%, melhor do que as outras gerações (5,8% a 6,1%)
- 42,9% menos autonomia: a maioria ainda tem reservas feitas pelo administrativo, refletindo cargos iniciais
É um viajante digitalmente fluente, pragmático, consciente de custos no início da carreira, mas com expectativas claras de crescimento na autonomia e na qualidade das experiências.
A centralidade da tecnologia e do mobile
Para a Geração Z, um processo que não seja 100% digital já começa errado. Dados da pesquisa apontam que 83% desses profissionais preferem soluções totalmente digitais para reservas de hotel e passagens. Isso não significa apenas ter um app: significa ter um app que funcione, que seja intuitivo, que mostre todas as informações relevantes numa única tela e que permita resolver qualquer imprevisto sem precisar ligar para ninguém.
As implicações para o programa de viagens corporativas são claras:
- A plataforma de reservas precisa ser mobile-first, não apenas mobile-compatible
- O processo de aprovação deve ser digital e ágil — aprovações que dependem de e-mail ou assinatura física são inaceitáveis para essa geração
- Notificações proativas (atraso de voo, mudança de portão, confirmação de check-in) são esperadas, não diferenciais
- O registro de despesas deve ser feito com foto de comprovante via app, com aprovação digital imediata
Empresas que ainda operam com sistemas legados ou processos manuais não apenas incomodam o viajante Gen Z: elas enviam uma mensagem clara de que a empresa não está atualizada — o que impacta diretamente na percepção de marca empregadora.
Geração Z e sustentabilidade corporativa
A consciência ambiental é uma das marcas mais distintivas da Gen Z no contexto de viagens. Pesquisa da Panrotas de 2025 aponta que esses profissionais estão priorizando viagens “mais lentas” — preferindo, quando possível, modalidades de transporte com menor impacto ambiental, hospedagens com certificação sustentável e empresas que mensuram e compensam suas emissões de carbono.
Isso não é apenas preferência pessoal: é um critério que influencia a avaliação que o colaborador faz da empresa. Organizações que têm uma política clara de sustentabilidade corporativa nas viagens — com metas de redução de emissões, relatórios de carbono e critérios ambientais na seleção de fornecedores — se destacam positivamente para esse perfil de viajante.
Algumas adaptações práticas incluem:
- Incluir na política de viagens critérios de preferência por hospedagens com certificações sustentáveis
- Calcular e reportar a pegada de carbono das viagens corporativas
- Oferecer a opção de compensação de carbono nas reservas de passagens aéreas
- Incentivar o uso de transporte público e mobilidade compartilhada nos destinos
Bleisure: a fronteira entre trabalho e lazer
Um dos comportamentos mais característicos da Gen Z em viagens corporativas é o bleisure — a extensão da viagem de negócios para incluir dias de lazer. Dados da pesquisa apontam que 41% dos profissionais Gen Z querem que suas empresas permitam estender as viagens de trabalho para aproveitar o destino, e 27% pretendem levar amigos ou familiares em pelo menos algumas viagens corporativas.
O bleisure bem estruturado é um benefício de baixo custo e alto impacto para a empresa: o colaborador viaja mais satisfeito, retorna mais descansado e percebe a viagem como uma oportunidade, não como um fardo. Para estruturar o bleisure de forma sustentável:
- Defina claramente na política quais custos são corporativos e quais são do colaborador nos dias extras
- Estabeleça que a extensão não pode gerar custos adicionais para a empresa (a passagem de retorno é comparada com a original)
- Garanta que o seguro viagem cubra os dias de extensão pessoal
- Comunique ativamente essa possibilidade — muitos colaboradores Gen Z não estendem as viagens simplesmente por não saberem que podem
Flexibilidade, autonomia e propósito
A Geração Z tem uma relação diferente com autoridade e hierarquia: espera ser tratada como adulta, quer entender o porquê das regras e valoriza a autonomia no processo de trabalho — incluindo nas decisões de viagem. Isso cria uma tensão interessante com os modelos tradicionais de gestão de travel, onde todas as reservas são feitas centralizadamente e o viajante tem pouco ou nenhum poder de escolha.
A solução não é abrir mão da política — é dar autonomia dentro de limites claros. Algumas abordagens eficazes:
- Self-booking com guardrails: o viajante reserva diretamente na plataforma, mas o sistema bloqueia ou sinaliza opções fora da política automaticamente
- Flexibilidade de horário e modal: dentro do orçamento definido, o viajante escolhe o voo ou trem que melhor se adapta à sua rotina
- Escolha de hospedagem dentro de um range: oferecer uma lista de hotéis aprovados em diferentes categorias permite personalização sem perda de controle
- Comunicação do propósito: explicar por que determinada viagem é estratégica para a empresa aumenta o engajamento e a produtividade do viajante Gen Z em campo
Como a política de viagens precisa evoluir para a Geração Z
A retenção de funcionários da Geração Z passa, em parte, por um programa de viagens que fale a língua deles. Isso exige que a política de viagens seja revisada com esse perfil em mente, considerando:
- Linguagem acessível e positiva, não burocrática
- Formato digital e pesquisável, não PDF estático
- Atualização frequente, com changelog transparente
- Canal de sugestões para que viajantes possam propor melhorias na política
- Critérios de sustentabilidade explícitos
- Política de bleisure clara e comunicada ativamente
Empresas que evoluem seus programas de viagens para atender as expectativas da Gen Z não apenas melhoram a satisfação desse grupo: tornam o processo mais eficiente, digital e transparente para todos os viajantes corporativos, independentemente da geração.
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A Aerotur acompanha de perto as transformações no perfil do viajante corporativo, incluindo as demandas da geração Z viagens corporativas, e oferece soluções modernas de gestão de viagens que combinam tecnologia, sustentabilidade, flexibilidade e atendimento especializado.
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