Atualizado em 26 de agosto de 2026. A União Europeia adiou novamente o ETIAS. A versão anterior deste artigo indicava entrada em vigor no último trimestre de 2026 — cronograma que deixou de valer. O texto abaixo reflete a situação atual.
O ETIAS nas viagens corporativas continua sendo o assunto de documentação europeia que mais gera dúvida entre gestores de viagens brasileiros — e a resposta mais importante hoje é simples: o sistema ainda não está em vigor, e nada mudou para quem viaja a trabalho à Europa. Brasileiros seguem entrando no Espaço Schengen apenas com passaporte válido, sem autorização prévia e sem taxa.
O que mudou foi o cronograma. Depois das dificuldades enfrentadas na implantação do EES, o sistema de controle de fronteiras que precede o ETIAS, a expectativa passou a ser de que a exigência só comece a valer em 2027. Este artigo explica o novo quadro, o que já está valendo de fato e o que a empresa deve — e não deve — fazer agora.
O que é o ETIAS e por que ele existe
O ETIAS (European Travel Information and Authorisation System) é um sistema de pré-triagem eletrônica criado pela União Europeia para cidadãos de países que já têm isenção de visto para o Espaço Schengen — caso do Brasil. Ele não cria um visto: adiciona uma camada de verificação de segurança antes do embarque, na mesma lógica do ESTA americano ou do eTA canadense.
O objetivo é reforçar a segurança das fronteiras, acompanhar o cumprimento da regra de estadia (máximo de 90 dias a cada 180) e identificar previamente viajantes com histórico de risco. A isenção de visto para brasileiros não é revogada — ela continua válida. O ETIAS é um requisito adicional que passará a preceder o ingresso no território Schengen.
Atualmente 30 países integram o Espaço Schengen, incluindo Alemanha, França, Espanha, Itália, Portugal, Países Baixos, Áustria, Bélgica e Suíça — destinos frequentes de missões corporativas brasileiras nos setores de tecnologia, agronegócio, manufatura e serviços financeiros.
Qual é a situação hoje
O ETIAS acumula adiamentos desde sua aprovação, em 2018. O cronograma que vigorava até meados de 2026 apontava para o último trimestre daquele ano. Esse prazo caiu.
A razão é a dependência técnica entre os dois sistemas. O ETIAS só pode entrar em operação depois que o EES estiver plenamente estabilizado, e a implantação do EES enfrentou dificuldades operacionais relevantes — incluindo filas expressivas em aeroportos e postos de fronteira durante a fase de transição. Diante disso, a leitura predominante passou a ser de que a exigência do ETIAS só se tornará efetiva em 2027, e a Comissão Europeia deve confirmar a data definitiva apenas após concluir os testes e a estabilização do sistema anterior.
Para o gestor de viagens, o resumo prático é este:
- Não é preciso solicitar ETIAS hoje. O sistema não está aberto para pedidos.
- Não há taxa a pagar. Qualquer cobrança oferecida hoje por “ETIAS antecipado” é indevida.
- O passaporte válido continua sendo o documento exigido para brasileiros em viagem de curta duração ao Espaço Schengen.
- O EES, esse sim, já está valendo — e é o que efetivamente mudou a experiência de fronteira.
O EES já está em operação — e é o que importa agora
Enquanto o ETIAS segue adiado, o EES (Entry/Exit System) percorreu o caminho inverso. Após uma implantação progressiva iniciada em outubro de 2025, a Comissão Europeia anunciou que o sistema passou a operar plenamente em 10 de abril de 2026, em todos os países Schengen.
O EES registra digitalmente entradas e saídas de viajantes não europeus em estadias curtas, com captura de imagem facial e impressões digitais, substituindo o carimbo físico no passaporte. É esse sistema que hoje determina como o seu colaborador atravessa a fronteira europeia.
Três efeitos práticos para quem viaja a trabalho:
- Primeiro cruzamento é mais demorado. O cadastro biométrico inicial leva mais tempo que o antigo carimbo. Em horários de pico, isso se traduziu em filas relevantes durante a fase de transição.
- As entradas seguintes tendem a ser mais rápidas, com verificação automatizada em quiosques e portas eletrônicas nos aeroportos equipados.
- O controle dos 90 dias ficou automático. A contagem deixou de depender de carimbo legível e passou a ser calculada pelo sistema — o que reduz erro humano, mas também elimina qualquer margem para quem costumava estourar o limite sem que ninguém percebesse. Empresas com colaboradores em missões europeias recorrentes precisam acompanhar esse saldo de perto.
A lógica de fronteira biométrica que o EES inaugura na Europa é a mesma que vem avançando em aeroportos de outros países, tema tratado no artigo sobre biometria em aeroportos.
Como o ETIAS vai funcionar quando entrar em vigor
As regras já estão definidas, ainda que a data não esteja. Vale conhecê-las para preparar a política com antecedência.
Quem precisará. Todos os cidadãos de países isentos de visto que entrarem no Espaço Schengen para turismo, negócios, trânsito ou estudos de curta duração, até 90 dias. Brasileiros se enquadram. Ficam de fora titulares de visto ou autorização de residência na UE, familiares de cidadãos europeus e categorias cobertas por acordos específicos.
Taxa e validade. A taxa foi fixada em €20 por solicitação, valor bem acima dos €7 originalmente previstos. Menores de 18 e maiores de 70 anos são isentos. Uma vez aprovada, a autorização vale por 3 anos ou até o vencimento do passaporte, o que ocorrer primeiro, e cobre múltiplas entradas nesse período.
Como será solicitado. Integralmente online, pelo portal oficial. O formulário pede dados pessoais, informações do passaporte, histórico de viagens recentes, questões de saúde e antecedentes. A maioria das aprovações deve sair em minutos; casos que exijam análise manual podem levar até 72 horas e, em situações complexas, até 30 dias.
Período de transição. Este é o ponto que menos aparece nas reportagens e mais interessa a quem planeja. O desenho previsto não liga a obrigatoriedade de uma vez: haverá uma fase inicial em que o viajante é orientado a solicitar a autorização, mas não é impedido de entrar por não tê-la, desde que cumpra as demais condições de entrada. Só depois desse intervalo a exigência passa a ser efetiva, ainda com tratamento diferenciado para quem viaja pela primeira vez. Na prática, a mudança será gradual — o que dá margem de manobra, mas não dispensa preparação.
O que a empresa deve fazer agora
Com o ETIAS fora de vigor, a ação correta não é solicitar nada. É preparar o terreno e proteger o viajante de desinformação:
- Comunique ao time que o ETIAS não está valendo. Essa é a medida mais útil no momento. Existe um ecossistema de sites intermediários que cobram por uma autorização que ainda não existe, e colaboradores bem-intencionados caem nisso ao pesquisar por conta própria antes de uma viagem.
- Fixe a regra de fonte única. Quando o sistema entrar em operação, o pedido deverá ser feito exclusivamente pelo portal oficial da União Europeia. Deixe isso escrito na política de viagens desde já.
- Priorize o que já é exigido. Passaporte com validade suficiente continua sendo o gargalo real das viagens corporativas à Europa. Vale rodar um levantamento de vencimentos entre os colaboradores que viajam ao continente — assunto tratado no artigo sobre documentação de viagem.
- Acompanhe o saldo de 90 dias de quem faz missões europeias recorrentes, agora que o EES calcula isso automaticamente.
- Deixe o protocolo pronto na gaveta. Prazo mínimo de solicitação, responsável pelo processo, controle de vencimento e previsão dos €20 por colaborador no orçamento. Quando a data for confirmada, é só ativar.
- Prepare o campo de controle de validade. Como a autorização ficará vinculada ao passaporte usado na solicitação, renovar o documento exigirá novo pedido. Empresas com volume relevante à Europa vão precisar controlar duas datas por viajante, não uma.
Reino Unido e outros destinos não entram nessa conta
Um lembrete que evita confusão: o ETIAS vale para o Espaço Schengen. O Reino Unido tem sistema próprio de autorização eletrônica, com regras e prazos independentes, e destinos fora do Schengen seguem exigências específicas. Missões com etapas em vários países europeus precisam de verificação destino a destino, como detalhado no artigo sobre viagem corporativa internacional.
Vale também manter o seguro viagem em dia: independentemente do estágio do ETIAS, cobertura adequada continua sendo requisito prático — e, em alguns contextos, formal — para entrada no continente.
Conte com a Aerotur Corporativo
O ETIAS nas viagens corporativas é um caso exemplar de por que vale acompanhar mudança regulatória com fonte confiável: em pouco mais de um ano, a data mudou duas vezes, e agir com base em informação vencida custa dinheiro e gera ruído interno desnecessário.
A Aerotur acompanha as exigências de documentação dos destinos que suas equipes utilizam e avisa quando algo muda de fato — sem alarme falso e sem intermediação desnecessária. Fale com a Aerotur e mantenha as missões internacionais da sua empresa planejadas com informação atual.